Na prática de desenvolvimento, é comum ver blocos de código duplicados, copiados e colados em diferentes partes de um sistema. Parece inofensivo; afinal, “funciona”. Mas com o tempo, essa abordagem se torna um problema sério. É aqui que entra o princípio DRY — Don’t Repeat Yourself — um dos fundamentos mais importantes da engenharia de software moderna.
O que é o princípio DRY
O princípio DRY afirma que cada informação, comportamento ou lógica de negócio deve ter uma única representação dentro de um sistema. Repetir código é repetir responsabilidade, e cada duplicação se transforma em um ponto a mais para corrigir quando algo muda.
Aplicar DRY significa centralizar responsabilidades, promovendo clareza, consistência e reutilização.
Por que o DRY é essencial
- Manutenção simplificada: Se uma regra existe em apenas um ponto, basta atualizá-la uma vez para refletir sua mudança em todo o sistema.
- Legibilidade e clareza: O código torna-se mais previsível, direto e fácil de entender.
- Consistência entre módulos: As mesmas entradas sempre produzem as mesmas saídas.
- Reutilização e escalabilidade: Abstrações bem definidas permitem evolução sem retrabalho.
Aplicando DRY na prática
1. Evitando repetição com funções
Sem DRY:
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Com DRY:
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Agora, produtos e serviços usam a mesma função, reduzindo manutenção e riscos de inconsistência.
2. Aplicando DRY com classes e herança
Sem DRY:
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Com DRY e Orientação a Objetos:
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A herança elimina código repetido e mantém a lógica consistente entre tipos de funcionários.
3. Centralizando configurações
Sem DRY:
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Com DRY:
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Quando for necessário mudar o endpoint, basta atualizar apenas um local.
4. Evitando duplicação de dados
Sem DRY:
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Com DRY:
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Assim, o código sempre obtém dados derivados diretamente da fonte original.
Quando não aplicar DRY cegamente
DRY é poderoso, mas abstrações em excesso podem transformar um código simples em algo complexo demais. Se duas partes do sistema compartilham apenas semelhanças superficiais, manter a duplicação temporariamente pode ser a melhor escolha. O equilíbrio é o segredo: Deduplique apenas quando houver real benefício em termos de clareza, manutenção e consistência.
Conclusão
O princípio DRY é mais que uma boa prática: ele reflete uma mentalidade de engenharia. Pensar em sistemas DRY é pensar em código sustentável, modular e de longo prazo.
Evitar repetição não é apenas sobre reduzir linhas, é sobre projetar bases sólidas para a evolução natural do software.
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